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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sobrevivendo na Igreja para Solteiros

Esse post faz parte de um Blog Tour. Eu sei que geralmente identifico no título, mas essa ainda não é a resenha do livro. É que os livros nunca chegam na semana do tour, mas eu decidi que tinha que postar alguma coisa no tempo certo de agora em diante. 
O livro dessa semana é o Stuff Christians Like, de Jon Acuff. Entrei no tour depois de ler o blog dele, que é ÓTIMO. Se você lê em inglês, siga. Se você não lê em inglês, use o tradutor do Google e siga. (Sabia que o Chrome traduz automaticamente as páginas em outras línguas se você quiser?)
Essa lista aí embaixo é uma versão minha de um post dele.




The Surviving Church as a Single Scorecard - Brazilian Version

1. Sua igreja não tem um ministério de solteiros. +1 ponto

2. Sua igreja não tem um ministério de solteiros, mas tem um ministério de casais. +2 pontos

3. Sua igreja não tem um ministério de solteiros, mas tem um de casais, que sempre pede aos solteiros que sirvam os casais nos seus eventos (sempre tem um jantar nesses eventos de casais) + 3 pontos

4. Sua igreja tem um ministério de solteiros, mas considera solteiros todos os que não são casados, inclusive os casais de namorados e noivos + 4 pontos

5. Alguém já te disse “Eu simplesmente não entendo como alguém tão legal como você ainda não se casou.” + 1 ponto

6. Alguém já te disse “Quando você parar de procurer, o amor baterá à sua porta.” + 2 pontos pra cada vez em que você ouviu isso.

7. Todos os seus irmãos já se casaram ou tem namorado. + 2 pontos pra cada irmão. + 3 se for irmão mais novo.

8. As pessoas te apresentam assim “Esse é o Rafa. Solteiro, hein? ;)” +1 ponto

9. Quando as pessoas te apresentam, sentem que precisam listar suas qualidades “Essa é a Fabi, solteira, tem casa, carro, emprego estável, ganha bem...” + 2 pontos

10. As pessoas vivem apresentando outros amigos solteiros pra você + 2 pontos

11. As pessoas já perderam o critério e apresentam qualquer amigo solteiro pra você + 4 pontos

12. Seus amigos que namoram há dois dias não te chamam mais pra sair no fim de semana. + 1 ponto

13. As pessoas sempre te pedem para fazer coisas porque “você é solteiro, então tem muito tempo livre.” + 1 ponto

14. As pessoas se espantam quando perguntam “Como vai?” e você responde “Ótimo! Eu amo minha vida!” + 1 ponto

15. Alguém que você acabou de conhecer fica te dando conselhos como “Se você quer se casar, tem que...” + 2 pontos

16. Você está começando a pensar que alguma coisa em você assusta homens/mulheres, e fica tentando descobrir o que é - 2 pontos

17. Alguém já te mandou o versículo “Não é bom que o homem esteja só...” + 2 pontos

18. Você está achando que eu fiz essa lista pensando em alguém específico (você, é claro), e vai dizer isso nos comentários - 5 pontos

19. Você acha que se não se casar antes dos 25 anos, vai ficar solteiro pra sempre + 1 ponto

20. Você tem mais de 30 anos e acha uma injustiça as pessoas acharem que todos deveriam se casar antes dos 30 – 3 pontos

21. Você tem mais de 30 anos, está solteiro e entrando na fase do desespero + 5 pontos

22. Quando as pessoas te convidam pra ir a um lugar, começam falando dos solteiros que estarão lá + 1 ponto

23. Os casais de amigos ficam cheios de dedos pra falar com você perto de 12 de junho porque acham que você está muito sensível + 1 ponto

24. Você nem está tão sensível assim. Na verdade, nem liga pra essas datas que só existem pra que as pessoas gastem dinheiro comprando presentes e indo jantar em lugares caros – 1 ponto

25. Você cansou de fingir que é forte e que se conformou com a solteirice, resolveu chutar o balde e está, sim, sensível em junho – 3 pontos

26. Você já fez uma lista de qualidades que seu par perfeito deve ter (físicas ou não) + 1 ponto

27. Você ora todos os dias com a mão sobre a lista + 3 pontos

28. Quando você conhece uma pessoa, seus amigos o(a) tratam como seu(sua) namorado(a) + 2 pontos

29. Depois de conhecer a terceira ‘pessoa’, seus amigos fazem comentários mais brandos, com medo de te empolgarem em um relacionamento que pode não dar certo + 4 pontos

30. Seus amigos evitam falar de seus namorados/conjuges perto de você porque acham que você vai se sentir mal + 1 ponto

31. Você realmente se sente mal quando tem que ouvir sobre as histórias amorosas dos outros + 2 pontos

32. Amigos se afastaram de você depois que se casaram por achar que você não os entende mais + 1 ponto

33. Seus amigos casados vão sair, então ligam rpa você porque precisam de alguém pra cuidar do filho deles + 3 pontos

34. Você compra/lê livros de relacionamento para se preparar para quando estiver em um + 1 ponto para cada livro lido, + 2 para cada livro comprado

35. Você compra/lê livros de relacionamento para ver se tem algum segredo para arranjar um + 2 pontos para cada livro lido, + 3 para cada livro comprado

36. Alguém já te disse que “Paulo nunca se casou”, tentando te consolar + 2 ponto

37. Já te disseram que no próximo aniversário ou Ano Novo você estará planejando seu casamento + 3 pontos

38. Ao invés de dizer que você é solteiro, as pessoas dizem que você “ainda não se casou” + 2 pontos

39. Você cansou de procurar e encontrar apenas as pessoas erradas, e já decidiu que ‘esperando em Deus’ significa que se ELE existir, vai ter que correr atrás de você + 2 pontos

40. Você abre uma conta em todos os sites de namoro virtual evangélico que encontra. + 5 pontos

Você pode comprar o livro pela Amazon, seguir o Jon no twitter ou ser amigo dele no Facebook. O blog dele você já está seguindo, né?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Blog Tour: Love Mercy (Lisa Samson, Ty Samson)

 Love Mercy nos confronta diretamente com a crise de AIDS na África, especialmente na Suazilândia, que tem o maior índice de aidéticos no mundo e onde a expectativa de vida é de trinta e dois anos. Ofertando duas perspectivas únicas, Lisa e Ty compartilham as questões que encontraram em sua jornada e contam as histórias daqueles que conheceram no meio do caminho - das próprias crianças, para os adultos vítimas de AIDS, para os compassivos e misericordiosos que buscam a cada dia aliviar o sofrimento.
Sorrisos em um lugar de tristeza agonizante. Misericórdia em meio a uma pobreza dse cortar o coração. Duas pessoas transformadas por Deus em lugares e de maneiras que elas jamais esperavam, descobrindo que, mesmo em uma terra repleta de angústia, o amor e a redenção de Cristo inflamam.

Love Mercy confronts us directly with the AIDS crisis in Africa-in particular Swaziland, which has the highest AIDS rate in the world and where the average life expectancy is thirty-two years of age. Offering two unique perspectives, Lisa and Ty share the questions they encountered on their journey and tell the stories of those they met along the way-from the children themselves, to adult AIDS victims, to the compassionate mercy-givers who seek every day to alleviate their suffering.
Smiles in a place of aching sadness. Mercy in a place of heart-wrenching poverty. Two people transformed by God in ways, and places, they never expected, discovering that even in a land riddled with heartache … Christ’s love and redemption are ablaze.
(Capa e sinopse retiradas do BlogTour, tradução livre)



Esse livro faz parte de um Blog Tour. (Basicamente, vc se inscreve e informa as suas preferências literárias, a editora te convida a participar de um blog tour e te manda o livro de graça em troca de um post review. Os livros são em inglês, ok?)

Love Mercy é uma biografia de uma escritora de romances e sua filha adolescente. Apesar de classificado como biografia, conta, na verdade, sobre a viagem que elas fizeram à Suazilândia, um pequeno país africano que está ali enfiado entre a África do Sul e Moçambique, menor que o estado de Sergipe e a metade da população de Curitiba. População esta que está morrendo aos montes de AIDS e tuberculose - quando não são a fome, miséria e o abandono que matam, principalmente, as crianças. Há na Suazilândia 120 mil órfãos, o índice de pessoas com o vírus HIV chega perto dos 50%. Aos 15 anos, um suazi tem 6% de chance de chegar aos 30.

As autoras foram convidadas a conhecer o trabalho de uma organização chamada Children's Hope Chest. Sem dinheiro para a viagem, Lisa elaborou uma proposta de escrever um livro sobre sua 'jornada' na África, e as vendas desse livro cobririam os custos da viagem, inicialmente paga pela editora. O restante dos direitos autorais foi (é, será) doado para a Children's Hope Chest. 

Todos temos noção de que a maior parte da população do planeta passa por necessidades extremas. Não acredito que alguém ignore o fato de que a AIDS seja uma epidemia globalizada. Sabiam que mais de 2/3 dos portadores de HIV estão na África subsaariana (região da África abaixo do deserto do Saara)? E que cerca de 3 milhões de pessoas morrem por ano vítimas da doença somente nesas região?

Hoje, no Brasil, não é tão fácil imaginar a situação, já que temos o maior e melhor programa de combate à AIDS do mundo. Desde a política de distribuição do coquetel para os portadores do vírus, a expectativa de vida dessas pessoas no Brasil aumentou escandalosamente. Na maioria das vezes, não dá nem pra saber quem tem o vírus e quem não tem.

Na Suazilândia não há recursos para combater a AIDS porque a doença extermina a população em idade produtiva. Não é inacreditável como um vírus pode infestar uma nação ao ponto de deixá-la impotente dessa forma? Para quem liga a AIDS à promiscuidade, a maioria dos portadores do vírus no país hoje o contraíram ainda na gestação ou na primeira infância. Os antirretrovirais são caríssimos. Imagina se alguém consegue comprar isso? 


O livro conta a história das pessoas que vivem nessa realidade. Pior que isso, que nunca conheceram outra realidade. Há esperança pra essa gente? Órfãos, viúvas, velhas senhoras que cuidam de filhos de desconhecidos, pessoas jovens, assim, da minha idade, da sua, morrendo. É capaz de ter outra reação inicial a não ser a perplexidade?


Tive sérias discussões - monólogos entre eu e o livro que ficou mudo diante das minhas perguntas e advertências - teológicas com a autora, mas isso não interfere muito na essência do livro.


Mexendo na internet, descobri que o Brasil não mantém relações com a Suazilândia. Não seria interessante uma conversinha entre o melhor e o pior país no mundo em combate à AIDS/HIV? Estão entendendo o que eu estou pensando? Será que o Brasil pode ajudar a Suazilândia?



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Resenha: A Luta pelo Direito (Rudolf von Ihering)

"O objetivo do direito é a paz, a luta é o meio de consegui-la. Enquanto o direito tiver de rechaçar o ataque causado pela injustiça - e isso durará enquanto o mundo estiver de pé -, ele não será poupado. A vida do direito é a luta, a luta de povos, de governos, de classes, de indivíduos." Com essas palavras, Ihering, consagrado jurista alemão, abre esta obra clássica, indispensável aos que pensam e vivem o Direito. Trata-se de uma tese ético-prática sobre a ciência jurídica, "com o intuito de despertar nos espíritos a disposição moral que deve constituir a atuação firme e corajosa do sentimento jurídico", palavras do próprio autor, em seu Prefácio, na tradução de Agnes Cretella e José Cretella Jr.
(Imagem e sinopse da editora Revista dos Tribunais)


Ihering é, sem dúvida, um apaixonado. Em seu livro de poucas páginas e prefácio extenso e linguagem acessível, transmite sua paixão inflamada. A força do direito reside no sentimento, assim como a força do amor, mas quando o sentimento está ausente, impossível substituí-lo pelo conhecimento e pela inteligência. (59)
Durante a leitura, lembrei da Prof Elaine, que recomendou à turma este livro quando ainda fazia Ciência Política e Teoria do Estado. O sentimento e a paixão, estavam sempre em suas aulas, até na forma de se expressar, no tom de voz ao lecionar, representados pela sua frase emblemática Direito é amor.
Por toda sua linguagem apaixonada, e também pelo tema de 'luta', o livro remete a um discurso, como os que acontecem aqui na praça vez e outra, incitando as pessoas a agirem ou deixarem de agir de determinada maneira. Lutar por determinada causa.
A luta de Ihering é pelo direito. Seu discurso incita às pessoas a não abandonarem suas causas, não negligenciar seu próprio direito. Entre outros argumentos, o autor diz que o direito é condição de vida moral da pessoa, a defesa do direito é um ato de autoconservação moral.
Vai mais longe ainda, dizendo que aquele que negligencia seu direito está abandonando a luta da sociedade, pois a luta pelo direito extrapola a esfera individual. Como a regra contratual que pode ser tacitamente desprezada quando nenhuma das partes a reclama, o direito se perde aos poucos quando cada pessoa abandona sua luta. Quem quer que usufrua as vantagens do direito deverá cooperar para manter a força e o prestígio da lei, ou em outras palavras, cada um nasce como combatente pelo direito, no interesse da sociedade.
De tudo isso, considero importante seu discurso. No entanto, adiciono que a luta pelo direito não deve ser sinônimo de processo judicial, a menos que se tenha esgotado todos os outros meios de resolução do conflito. A luta pelo direito muitas vezes pode ser vencida em uma conciliação, uma conversa, um novo acordo. 
Não vamos usar a desculpa da luta pelo direito para prejudicar ainda mais o nosso sistema judiciário - que já não anda bem - acrescentando processos que poderiam ser resolvidos de outra maneira. 'Colocar fulano na justiça' não vai resolver seus problemas, nem restabelecer sua paz ou diminuir suas dores de cabeça. Pode até aumentar ainda mais. A maioria dos processos judiciais - principalmente cíveis - ainda demora bastante, são caros, estressantes, enfim... dispendiosos. Além do mais, ao levar ao Judiciário algo que você mesmo poderia resolver, você atrapalha aqueles que realmente necessitam do meio processual para resolver seus conflitos.
Leve a sério seus direitos. Lute até a última instância. Só não deixe de passar pelas primeiras.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Blog Tour: Found Art (Leeana Tankersley)


Found Art é uma coleção de histórias animadoras, espiritualmente enriquecedoras da vida da autora. Essas histórias são tecidas em torno dos 'momentos' encontrados em Eclesiastes 3 e incluem nascer e morrer, plantar e colher, falar e ficar em silêncio, chorar e rir, lamentar e dançar, guerra e paz.

Found Art is a collection of spiritually enriching, uplifting stories from the author’s life. These stories are insightfully woven around the seasons found in Ecclesiastes 3 and include birthing and dying, planting and harvesting, speaking and remaining silent, weeping and laughing, mourning and dancing, war and peace.
(Sinopse e imagem retiradas do site da editora - tradução livre)



Esse livro faz parte de um Blog Tour. (Basicamente, vc se inscreve e informa as suas preferências literárias, a editora te convida a participar de um blog tour e te manda o livro de graça em troca de um post review. Detalhe: livros em inglês) Na verdade, o tour foi na primeira semana desse mês, mas só recebi no fim da semana passada e terminei de ler hoje.


Vou confessar que não estava empolgada com o livro de início, até que carregou a imagem da capa (internet lenta é fogo) e eu me encantei completamente. Afinal, um livro tão lindo não poderia ser tão ruim assim! Quando chegou, eu já sabia que era ele, mesmo sem sequer ter visto a correspondência. Perdi o sono na mesma hora e comecei a ler.


Logo no início do livro vi que não me decepcionaria. Primeiramente, porque tem uma conexão com Eclesiastes, que dos livros da Bíblia é um dos meus favoritos. Depois, porque nos dois primeiros capítulos houve uma identificação enorme entre leitora e autora, pois ela estava falando justamente da adequação a um novo lugar e do relacionamento à distância que teve com quem hoje é seu marido. É tão bom 'ouvir' alguém que já passou pelas mesmas coisas que você!


O título do livro remete a uma manifestação artística que consiste em transformar um objeto comum em algo especial. (Talvez seja mais profundo que isso, mas este é o conceito que interessa). É essa a ideia do livro. Encontrar beleza em lugares estranhos, incomuns. A linguagem é agradável. Não exige um nível muito avançado de inglês, pelo contrário. Senti a autora conversando comigo como uma amiga.


A história se inicia quando Leeana se muda para Barém (um país do Oriente Médio que eu não imaginava que existisse) por causa do 'recém-marido' militar, quando a Guerra do Iraque estava prestes a começar. Depois de um ano, eles voltam aos Estados Unidos, mas o marido dela tem que viajar em missão diversas vezes.

(Quando se fala de Guerra do Iraque, as pessoas pensam nos americanos malvados que vão destruir a terra alheia. Como eu disse em outro post, nenhum povo merece a guerra. É covardia do Soberano lutar arriscando a vida alheia. Não há caras maus num campo de batalha. Todos são vítimas.)

Dessa leitura, concluo que devo relaxar e enxergar o que há de belo em todo lugar. Assim como Leeana, preciso me conhecer, além do que as pessoas veem.

No final do livro, há um 'desafio' pra cada capítulo. Pra quem quiser, vou postar diariamente o desafio no outro blog (Fazer Estrelas) que compartilho com minhas irmãs a partir de amanhã.


Até mais!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Resenha: O Nome da Rosa (Umberto Eco)

Ouvi falar no livro de Adso Umberto Eco pela primeira vez ainda no 1º ano do Ensino Médio. Não exatamente no livro, mas no filme. Lembro que na época me pareceu chatíssimo um filme sobre a vida em um mosteiro na Idade Média. Isso foi há uns cinco anos. Nem parece que se passou tanto tempo!
O que eu lia nessa época? Ah, sim… Foi um ano fraco pra leitura o de 2005. Em um dos colégios que estudei (foram três no mesmo ano) os alunos só podiam emprestar livros uma vez por semana. Talvez pelo tamanho da biblioteca, pequeniniiiinha! Aproveitava para pegar livros grandes, como o Memorial de Maria Moura. E Sidney Sheldon, que eu conhecera um ano antes. Mas não li O Nome da Rosa. Acho que nem vi em qualquer das três bibliotecas que frequentei naquele ano.
Nunca mais ouvi falar dessa história por anos, até chegar à universidade. O livro estava entre as leituras complementares de Sociologia, mas eu não li. Estava ocupada demais aprendendo a estudar para passar pelas estantes de literatura.
Foi no ano passado que resolvi que deveria voltar a devorar livros como antes. Agora já tinha ouvido falar tantas vezes do livro e do filme, tantas recomendações, que fiquei curiosa. O exemplar estava desgastado, os cadernos meio frouxos, provavelmente porque eu não fora a única que carreguei auqele livro pra todo canto.
Ao contrário do que me fizera parecer a infeliz da professora de História há tantos anos, descobri que era um romance com uma trama muito bem escrita que me aguçou os sentidos. Lia até as inscrições em latim para tentar descobrir algo do mistério das mortes dos monges. Infelizmente tive que parar a leitura perto do fim, para dedicar tempo ao vestibular. (Por que não pedem também literatura estrangeira no vestibular? Preciosismo)
Terça-feira o professor de História do Direito mencionou o livro, contando com o bom-humor com que costuma dar suas aulas do episódio inicial do livro, quando Guilherme descreve um cavalo que nunca tinha visto. De repente, senti uma vontade enooorme de saber o que acontecia no final do livro. Quem ou qual era a causa de todas aqueals mortes na Abadia? Encontrei um único exemplar na biblioteca de Humanas e devorei saborosamente – não como Jorge – as páginas que restavam.
Excelente leitura para quem gosta de ler, quem gosta de história, quem gosta de observar as pessoas. E pra descobrir como algumas coisas realmente não mudam: a hipocrisia, o fanatismo, a vaidade, o orgulho e a paixão pelos livros.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Resenha: A Cidade do Sol (Khaled Hosseini)

“- Foi em março de 1979, uns nove meses antes da invasão soviética. Alguns heratis enfurecidos mataram uns conselheiros soviéticos e, então, eles mandaram seus tanques e seus helicópteros e abriram fogo contra a cidade. E nos bombardearam durante três dias, hamshireh. Derrubaram prédios, destruíram um dos minaretes, mataram milhares de pessoas. Milhares. Perdi duas irmãs nesses três dias. Uma delas tinha 12 anos. É essa aqui – acrescentou ele, batendo com a mao na foto presa ao pára-brisa.

- Sinto muito – disse Laila, impressionada por ver que a história de cada afegão é amrcada por mortes, perdas e dor. E, mesmo assim, percebe que as pessoas dão um jeito de sobreviver, de ir em frente. Pensa em sua própria vida e em tudo o que lhe aconteceu, e se surpreende ao se dar conta de que também sobreviveu, que está viva, sentada nesse táxi, ouvindo a história desse homem.”

O livro conta a história de duas mulheres – Mariam e Laila – passando pelos conflitos subsequentes nos últimos 40 anos de história do Afeganistão, entremeados por traços da cultura e do cotidiano afegão.

A cidade do sol é Cabul, onde não se podem contar as luas que brilham em seus telhados, nem os mil sóis esplêndidos que se escondem por trás de seus muros. (Versos de Saib-e-Tabrizi) (Em inglês o título é A Thousand Splendid Suns – Mil Esplêndidos Sóis –o que acontecem com os títulos quando chegam ao Brasil? Mania de inovar mais besta! )

A história se inicia com a jovem Mariam, uma harani (bastarda) do interior do Afeganistão, que é obrigada a se casar com Rachid, um sapateiro muito mais velho que ela, que vive em Cabul.

No dia do golpe (ou revolução, depende de quem está falando) socialista, nasce Laila, poucas casas acima da de Mariam. Seus irmãos lutavam no interior contra os soviéticos. Quando os mujahedins venceram, passaram a lutar uns contra os outros, destruindo Cabul com as armas que ganharam dos Estados Unidos para combater o mal socialista.

Quando os pais de Laila morrem atingidos pelo míssel que cai em sua casa, a menina é socorrida por um dos poucos vizinhos que não fugira para o Paquistão. É quando as histórias das duas mulheres se cruzam. Laila vê no casamento com Rashid seu único meio de sobrevivência nesse cenário pavoroso.

Juntas, elas sofrem com as atrocidades do marido intolerante. Vêem instalar-se o regime talibã, que proíbe as mulheres de trabalhar, estudar, rir, falar, andar sozinhas, olhar os homens nos olhos ou mostrar o rosto. Cuidaram dos filhos de Laila. Passaram fome. Lutaram pela vida como puderam.

A história dramática se encerra num cenário de esperança, após a última guerra, contra os Estados Unidos, onde os afegãos estão reconstruindo a cidade de Cabul e suas próprias vidas.

Tantas revoluções e conflitos em tão pouco tempo me fizeram voltar às aulas de Ciência Política e Teoria do Estado. À conhecida definição de estado de exceção… Do SOBERANO, soberano sobre a vida dos outros, por tantas vezes sem a menor noção da responsabilidade que possui. Sem olhos para ver o sangue em suas mãos. Aquele que usa o poder para estabelecer no seu país determinados ideais, sacriifcando a vida dos civis que dele dependem.

O chefe de Estado contemporâneo que declara a guerra joga com a vida dos outros e por isso é um covarde. Ele mesmo não vai para a linha de batalha. A sua decisão não arrisca o seu pescoço, mas os de muitos outros; voluntários, obrigados, inocentes.

Isso tudo me enoja.

terça-feira, 16 de março de 2010

Resenha: A Criminologia Radical (Juarez Cirino dos Santos)

Este estudo tem por finalidade definir os fundamentos científicos e os objetivos programáticos da CRIMINOLOGIA RADICAL, como teoria do crime e do contorle social comprometida com o projeto político das classes trabalhadoras nas sociedades capitalistas.”

Esse livro apresenta uma visão do crime completamente diferente do último que estudei (apesar de Mentes Perigosas não falar exatamente de crime ou de criminologia, mas de psicopatas, e de um ponto de vista científico-psiquiátrico-não-jurídico).

A Criminologia Radical diz que o crime está diretamente ligado à economia e estes à política. Define o crime individual como resposta social de sujeitos em condições sociais adversas. Diz, ainda, que há uma criminalidade estrutural: “situações de garantia de impunidade, pelo controle dos processos de criminalização, são condições suficientes para práticas anti-sociais lucrativas, fundadas no controle dos processos de produção/circulação da riqueza”.

Em resumo, o que li é que o crime é obra e graça do capitalismo, que pune os oprimidos de forma a manter o sistema e acoberta os crimes da classe dominante, sendo o próprio sistema capitalista um crime.

Pessoalmente, considero perigoso definir todo um sistema como criminoso. Acho abstração demais. E mais perigoso ainda é enfatizar que a solução para a criminalidade é a implantação do regime socialista. Até porque, o tal regime é um ideal que ninguém nunca viu funcionar, né? Enfim, me perdoem aqueles que amam, mas a Criminologia Radical me pareceu um discurso fanático ou eu não entendi nada.

E ainda tem o caso de todo o proletariado que não pensa em cometer um crime sequer – ‘pobres alienados’ – daqueles que não cometem crimes por serem oprimidos pela sociedade capitalista, mas por motivos passionais, por estarem sob efeito de tóxicos, por patologia… Prefiro pensar que não existe um motivo para que alguém cometa um crime – seja biológico, sociológico, econômico… Mas que todos esses motivos são possibilidades.

Mas como todo mundo tem sua própria opinião sobre o que é crime e como se deve lidar com ele, essa discussão vai longe!

sábado, 6 de março de 2010

Resenha: Mentes Perigosas – O psicopata mora ao lado

Estou inaugurando uma nova categoria de postagens hoje. Passarei a escrever sobre algumas das minhas leituras. Claro que não é o que se chamaria de ‘resenha’ acadêmica. Meu profesor de metodologia diria que é um paper. É apenas um breve ‘parecer’ nem sempre técnico, mas como leitora. Mais do que justo poder avaliar aquilo que consumo, não acham?

Este livro discorre sobre pessoas frias, manipuladoras, transgressoras de regras sociais, sem consciência e desprovidas de sentimento de compaixão ou culpa. Esses "predadores sociais" com aparência humana estão por aí, misturados conosco, incógnitos, infiltrados em todos os setores sociais. São homens, mulheres, de qualquer raça, credo ou nível social. Trabalham, estudam, fazem carreiras, se casam, têm filhos, mas definitivamente não são como a maioria da população: aquelas a quem chamaríamos de "pessoas do bem".

(Extraído do livro – página 12)

Há muito tempo tenho namorado os livros de autoria de Ana Beatriz Barbosa Silva. Não podia passar em uma livraria sem que meus olhos os encontrassem, sem desejar apreciar a leitura de que tanto ouvira falar.

Meu interesse pelos estudos da mente (psiqué) não é recente. O curso de Psicologia sempre foi a minha segunda escolha. A psicologia e psiquiatria jurídica me causam verdadeiro fascínio, ainda mais quando se aliam à criminologia - minha outra paixão – e esse livro só fez juntar isso tudo, pelo ponto de vista médico, mas dirigido à compreensão de qualquer leitor.

A habilidade da autora de converter um assunto técnico em um texto delicioso, uma leitura fácil e compreensível me deu vontade de não largar o livro até terminar.

A leitura não foi só agradável, mas também útil. Pra mim foi muito importante aprender sobre essa patologia social de uma visão técnica. Sociopatas (ou psicopatas, como ela prefere chamar) não são invenção dos seriados de TV. São pessoas que não tem vínculos emocionais com coisa alguma, nem sentem remorso, culpa ou compaixão.

Segundo a autora, essas pessoas são capazes de cometer crimes simplesmente porque não medem esforços para alcançar o que querem, mesmo prejudicando a outros. Aqueles que se enveredam pelo crime não o fazem por uma questão social, mas por acreditar que não importam os meios para chegar ao fim que desejam.

É claro que nem todos os que cometem crimes são sociopatas, e que nem todos os sociopatas chegam a cometer crimes. Mas também fica a sujestão de que nem todos os crimes ocorrem pela desigualdade social. Mesmo em uma sociedade ideal, estes seres patologicamente criminosos não deixariam suas práticas de maldade.

Fica a pergunta: o que fazer com sociopatas que representam grande perigo para a sociedade e não podem ser ressocializados? A questão merece um regime penal diferenciado? Como obter um diagnóstico seguro para minimizar as injustiças? É… Parece que ainda estamos longe de lidar com a questão do crime.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pilha de Livros

Começo de semestre. Você descobre que precisa de livros novos. Vários livros novos. Caros livros novos. O que fazer? Comprar? Emprestar? Procurar na biblioteca? Tirar cópias?

Claro que todas as opções têm vantagens. Tirar cópias, por exemplo, geralmente é o meio mais barato de 'adquirir' o livro. Porém, a qualidade das cópias sempre deixa a desejar, sem falar na durabilidade. Mesmo que seja uma cópia encadernada, com o uso contínuo as folhas logo se soltam, as vezes a tinta desgasta... Isso pra não falar na ilegalidade, pois tirar cópias sem autorização do detentor dos direitos autorais, ou de reprodução, ou fora das determinações legais, é contrafação, ilícito civil e criminal. Mais uma daquelas leis que 'não pegaram' (palhaçada esse negócio de não pegar, né?), por isso é algo mais moral que legal. Contudo, seria hipocrisia (e um baita moralismo) de minha parte ficar falando disso, né?


Emprestar na biblioteca é de graça. Por isso, nem sempre os livros estão dsiponíveis, já que a biblioteca é pública e essa idéia de emprestar da biblioteca não é muito criativa... Portanto, corra à biblioteca e garanta o seu! [haha] As desvantagens são o zelo extremo que você deve ter para com estes livros: não riscar, não anotar, não sublinhar, não marcar páginas; somado ao zelo que outros não têm. Ainda, é possível encontrar obras nas bibliotecas que em alguns anos terão algum valor histórico, e que já não têm muito valor didático. Principalmente legislação, que precisa ser constantemente atualizada, o que raramente acontece. Ah, uma última coisa! Se não for organizado e pontual, provavelmente pagará multa por atraso na entrega dos livros. Cuidado.

Pode também emprestar de outra pessoa, amigo, parente, namorado, conhecido... Antes, veja bem de quem você está emprestando porque nem todo mundo sabe emprestar. Ficam tomando conta, enchendo a paciência... E a qualquer momento podem pedir o livro de volta. Além do mais, não compensa fazer qualquer anotação em um livro que não ficará com você.

Comprar é caro. Bem caro. E, como eu disse, uma biblioteca precisa ser atualizada com frequência. Uma biblioteca particular não foge à regra. O bom é que os livros de doutrina, os códigos, os clássicos e outros livros que duram um tempão te acompanharão por muito tempo, e você pode fazer o que quiser com eles (tá, só não destrua os livros porque é pecado acadêmico): anotar, marcar, sublinhar. Eles estarão sempre com você, e quando não te forem úteis e estiverem ocupando o espaço de outro livro, pode vendê-los a um sebo e beneficiar outra pessoa. Comprar livros usados é uma boa opção para economia, desde que não pegue uma edição atrasada e inútil.

Eu prefiro comprar. Calculo um 'investimento' de aproximadamente 600 reais em livros neste semestre. Comprarei (quem sabe neste fim de semana) pela internet.


PS: Sem desculpa esfarrapada. Não tenho nenhuma justificativa para a demora, mas estou com mais dois textos semi-prontos. Aguardem.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dia da Justiça!

Hoje é feriado forense (mal comecei a trabalhar e já pego um feriado, rs). Dia da Justiça. Esse dia existe desde 1940, mas só virou feriado forense em 1951, por iniciativa da AMB (Associação de Magistrados Brasileiros). A comemoração pode significar uma confraternização, um dia de ação comunitária, ou um dia de folga pra quem trabalha no fórum.

Dando uma volta pela web (via Google) parei quando encontrei a pergunta: há motivos para comemorar o Dia da Justiça?

Por que não? Ah, sim. Corrupção, morosidade, burocracia, injustiça. É claro que falta muito! Mas e o que já foi feito?

Tem que comemorar sim! Porque justiça se faz todos os dias. Porque a corrupção perde a cada gesto de honestidade. A morosidade, a burocracia e a injustiça ficam para trás quando cada jurista trabalha com paixão pelo Direito (sendo otimista?).

(Que emoção!)

Só mais uma coisa! Declaro para os devidos fins (rs) que estou participando da promoção do NaLei! O blog está sorteando um livro de Direito Civil -Direito Civil Brasileiro - Vol. II - Teoria Geral das Obrigações - 5ª Ed. 2008, Carlos Roberto Gonçalves.

Para participar, basta escrever um post sobre o livro sorteado, ou apenas falar que está participando da promoção, enviando um Trackback para: http://www.nalei.com.br/blog/2008/11/09/promocao-de-natal-do-nalei/

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Love's in the air

Não, não vou falar da minha vida amorosa (não diretamente...). Estou só aproveitando o tempo livre entre terminar todos os trabalhos que tinha pra fazer até aqui e pegar livros hoje à noite para fazer o restante para falar de um (uns) livro(s) que li há algum tempo. (Isso me lembra qeu eu tenho que ler O Contrato Social depois dessa postagem).

Foram três livros de uma mesma série. Série Crepúsculo. Parece que está na moda, porque é só andar na rua e achar duas pessoas com um livro desses. Tudo começou quando uma colega de van me emprestou o livro dizendo qeu eu tinha que ler porque era a minha cara. Não é que eu gostei?

Não é do tipo 'lição de vida', como A Menina Que Roubava Livros. É um romance. Uma mistura de romance meloso com bastante ação. Bella Swan (a protagonista) parece gostar de viver perigosamente. Não é culpa dela, ela é um imã de desastres. E, como toda donzela, tem um príncipe que misteriosamente aparece para salvá-la. Isso é tudo que eu posso contar, eu acho. Senão perde a graça, né?
Parece bobo. Não, é bobo. Pessoas apaixonadas vão gostar. (Eu disse 'não diretamente'... rs)
A série aparentemente tem 5 livros. Apenas 2 deles foram lançados no Brasil. O último livro ainda não é conhecido, mas a autora coloca alguns trechos no site dela. Os títulos: Crepúsculo (Twilight), Lua Nova (New Moon), Eclipse e Breaking Down (esse ainda não li).

PS: Essa série mexeu com o mundo da arte... O filme d'A Menina tem previsão para estrear em 2010, enquanto o desse estréia em dezembro! E o primeiro livro foi lançado no Brasil no primeiro semestre deste ano. Tem trailers no youtube, procure por 'twilight'.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Uma Roubadora de Livros

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Não é a intenção deste blog ficar fazendo propaganda, mas eu vivo lendo. E bons livros merecem ser divulgados. O livro hoje é 'A Menina Que Roubava Livros', de Markus Zusak.

Não foi um livro comprado nem emprestado. Também não roubei de ninguém (rs). Eu ganhei no meu aniversário de dois amigos que eu amo³³ =)

A história se passa na Alemanha Nazista. A protagonista é uma garotinha chamada Liesel Meminger (que eu descobri que se fala Lísel Méminga), que, por ser filha de comunistas, foi adotada por uma família muito pobre aos 10 anos de idade.

O livro conta a história da Segunda Guerra de um ponto de vista diferente de todos os outros que eu já li (Anjo da Morte, Pedro Bandeira; Diário de Anne Frank, Anne Frank (né?)...), porque geralmente quando alguém quer falar de Segunda Guerra Mundial, monta uma história contada por um judeu, que está sempre preso. Preso em um porão, em um campo de concentração, em seu exílio...

Markus Zusak conta essa história de um ponto de vista totalmente inusitado. Eu não vou contar quem narra a história porque é muito mais legal descobrir sozinho. Eu descobri sem querer na internet, e confesso que preferiria saber isso através das páginas do livro.

Mas o melhor de tudo no livro é que ele me mostrou uma coisa que eu tinha perdido em algum lugar dentro de mim. Ele me fez ver pessoas, ao invés de corpos. Me fez ver humanos. Eu costumava não me sensibilizar com cenas desumanas, com aquelas fotos de pessoas partidas no meio (já viram um livro de medicina legal?)... Mas depois de ler a história daquela ladrazinha eu não conseguia ver corpos sem enxergar as pessoas. Foi um processo de humanização de quase 500 páginas. Maravilhosamente bem escritas. Um livro digno de me arrancar umas lágrimas...

"Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito."