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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Atendendo o Balcão

Estava eu ocupada com um prazo urgente quando duas mulheres chegam ao balcão. Ficam conversando baixinho entre elas e nem me escutam cumprimentar. Quando eu volto aos memoriais, uma delas fala:

- Escuta, eu vim aqui fazer uma autorização.

- Autorização pra quê?
(Autorizaçao pra viajar pro exterior, autorização pra visita a recluso, autorização pra alienação de bens... Existem infinitos tipos de autorizações na vara da infância)

- Assim... É que eu quero me desfazer de um ponto de táxi... Só que ta no nome do meu filho.

- Sei...

- Aí eu queria passar pra outro taxista pra ele poder trabalhar no ponto pra mim porque eu não tenho carteira de motorista, né...

- Entendi..

Fui perguntar pra advogada se nós pegamos essas causas.

- Mas ela não é responsável?

- É, mas não é dela, oras. Precisa da autorização judicial pra se desfazer dos bens da pessoa incapaz.

- É verdade... Mas a gente não faz esse pedido. A menos que seja por motivo grave.

- Aqui não fazemos, senhora. A senhora procura ali o escritório da Unifoz pra ver se eles lidam com isso, senão vai ter que procurar advogado particular.
(Unifoz é uma faculdade particular que tem um curso de Direito e um escritório modelo que lida com causas cíveis, algumas delas na vara da infância)

- Mas o homem lá do táxi falou que era aqui na vara da infância que fazia!

- Mas a senhora precisa de advogado. Esse corredor todo é a vara da infância. Aqui é a primeira sala, onde ficam os advogados, mas a gente só trabalha com situação de risco. Pra pegar um advogado gratuito só se for ali na sala da...

- Hunf.. Perai qeu eu vou ligar pra ele lá.

“Oi... to aqui na vara da infância que nem você falou... então, mas a mulher falou que aqui não faz isso... nem levantou do computador pra vir aqui falar comigo.. pois é.. mandou eu ir lá na Unifoz!... então, mas esse negocio de justiça gratuita demora demais... não era pra pegar só a autorização? Como é que precisa de advogado e disso e de aquilo?... eu vou embora e depois você resolve isso aqui”
(Algumas considerações:
1. É por isso que eu detesto atender quando estou sozinha cuidando de prazo urgente. Confesso: falah minha não ter saído do computador, mas pessoas pensam que porque é público tem um milhão de pessoas trabalhando e mais dois milhões fazendo nada. Ninguém entende a necessidade de pessoal que todo fórum sofre. Não conheço um funcinário do Judiciário que não esteja sobrecarregado.
2. Se ela acha ruim a justiça gratuita, que contrate um advogado!)

Nessa hora eu já tinha chegado no balcão, com a cara vermelha que eu não sei se era de rir ou de segurar o resto da risada.

- Olha, senhora.. Esse negocio de autorização não é assim na hora. É um processo judicial que de qualquer jeito demora, precisa de advogado e...

- Não quero saber mais não. Ele que quer, ele que resolve isso aqui.

A pessoa já chega estressada (pessoas estressadas só servem pra estressar os outros), não sabe o que quer, nem tem a capacidade de ler as placas ou de se dirigir ao local indicado. E ainda, na frente da advogada, pergunta pra um taxista o qeu tem que fazer. To sem moral, mesmo...

PS:
Confesso: falha minha não ter saído do computador. Apesar de eu estar sozinha, cheia de trabalho, e de ela não me ouvir e achar que eu não sei do qeu estou falando quando digo que ela tem que ir pra outro lugar... falha minha também.

3 comentários:

Haralan Elias disse...

Como cidadão, me senti seriamente ofendido com este texto. Seriamente!

1° - A deficiência do atendimento no setor público em grande parte é motivada por uma disfução da burocracia estatal onde o agente público valoriza mais o processo interno do que o cidadão: Como assim nem levanta do computador pra atender a pessoa???? Vc poderia ter evitado a irritação da pessoa se tivesse atendido de modo adequado.

2° As pessoas, de fato desconhecem a aparato estatal, não sabem exatamente a quem recorrer principalmente se tratando do sistema judiciário. Porém o cidadão não tem culpa, antes é vitima do aparelho estatal complexo e ineficiente. É papel fundamental do agente publico (do estagiário também) atender de forma eficaz! Sanar todas as dúvidas, oferecer alternativas e sugestões.

3° - O cidadão deveria ser tratado com mais dignidade, não importa se ele não trata o agente publico assim, o papel fundamental do Estado não será cumprido em nenhuma escala enquanto a demanda imediata do cidadão for apenas secundário para o agente público.

O fato relatado é lamentável.

prontofalei....

Laís Doce disse...

Cara eu me divirto com as suas historias do trabalho!!kkkk imagino suas caras!! kkkkkkkk
Bjs pirralha do meu coração!!!

Dre disse...

Oi :)
Estava por ai vendo uns blog, e me interessei pelo nome do seu. Também entrei na facul novinha assim :) meu sonho era um dia não ser a mais nova da turma, hehe.
E sobre o post, tem pessoas que só sabem irritar né!? Trabalhei um tempo em banco, e meu Deus, tinha cada um.. haha. Mas as vezes é bom p/ gente rir.
Vou te linkar, tudo bem??
Beijos.